“A prioridade na minha vida agora não é… Tá, é ter um namorado”.
E só com essa frase todo um choro guardado a sete chaves transborda e eu começo a falar sozinha, olhando para o espelho.
A prioridade na minha vida agora é ter um namorado. Pra provar que aquilo que eu chamei de namoro por oito meses não era um relacionamento e sim uma doença. Porque alguém tão ciumento, tão possessivo, tão arrogante não pode gostar de alguém.
Eu quero alguém do meu lado pra me dar estabilidade. Pra mandar sms sem me preocupar se a namorada está do lado (olha o que você faz comigo, carioca…), pra me abraçar forte quando eu estiver prestes a desmoronar.
Eu quero alguém comigo porque não aguento mais a mesma ladainha de ‘oi, o que você faz? Você mora onde? Quais filmes você gosta? E de música? Nossa, também já li esse livro’.
Quero não ter que beijar várias bocas até achar uma que se encaixe na minha.
Quero alguém com quem eu possa conversar. Alguém que saiba formar frases e que tenha informação pra trocar. Chega de small talk, chega de conversas de elevador.
É ok por um tempo. É divertido até, flertar e pensar em perguntas esquisitas para parecer uma menina legal.
Eu não sou legal.
Eu sou sem frescura, sem mimimi, sem religião, sem paciência, com problemas, com um histórico de medo de compromisso, sem preconceitos e metida a politizada. ‘Legal’ passa longe de mim.
Mas eu até que sou ajeitadinha.